A

A Onça*, À memória de Carmo Bernardes.

Um dos nossos melhores recriou Jângala
para firmar não ser de todo gratuitas
as causas naturais dos fenômenos
da irmã Natureza, tudo posto
conforme ao pobrezinho de Assis.

Os mistérios todos – da Natureza
Francisco decifrou, um Supernatural.
Do pato selvagem ao rouxinol
da andorinha à jaguatirica,
Bernardes os viu ao natural:
– cada qual com seu igual.

O Carmo e o Francisco,
ambos amantes da jângala,
e de diverso modo
devotos do Criador.

A onça por exemplo é um felino
sabe até a criança! – gato crescido:
felis onsa, os Felídeos, sua família,
mas os índios tem-na por gente
um igual – assim, desde nascidos.

Onça, onça, felix onsa; suçuarana,
onça preta, onça-tigre, jaguatirica,
onça vermelha, pintada-malha-larga.
Feito o tigre de William flamejas
(ou antes, flamejavas nas matas)

o olho divino plasmou sua simetria,
onça que queimas e brilhas na noite
– enquanto queimadas não haviam.
./.
(*)De poemas 2017, Bichos (VIII).

A Onça*, À memória de Carmo Be

by adalbertodequeiroz

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