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O poço do passado
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I
Havia um poço no passado
um certo José nele jogaram:
as 14 frases bastam contar
o que virou passada história.

Em Cádiz, o venerando Queiroz
viu a cidade depois do cabo:
- "dobrado o cabo de S.Vicente"
que a desolação aflita da costa
bastava à delicadeza espiritual
dos sentidos todos os da escrita:
se refaz em mago de Oz.

II
em Porto, já se sabe - foi pronto
seu espanto e agora, dobrando
o cabo de são Vicente, a africana
dolência não me tira a esperança.

- Sob a costa americana Albert Camus
a vu les édifices le pouvoir la force nu
de l'argent et de l'Amerique...
No cimento e na pedra e no vidro negro
sentiu Albert a frágil France em nu frontal.

III
Eu, na Vila Jaiara vira a fábrica de tecidos
onde trabalhavam tantos e próximos
e os porcos no meio da rua e meu relógio
no bolso do morto – o defunto
eu vi que novas terras seriam anunciadas
com o brilho do luar, terras a conquistar.

O que toda a gente negara ao menino,
sob a costa americana eu um pobre-
diabo da vila Jaiara olhei; vislumbrei
a harmonia da linha do horizonte
o skyline da vila tão grande e sonhei,
como sonharam outros em outras luas
os tão anônimos e suas kitinetes sonharam
seus palácios da lua, luando em neon multicor.

E agora viagens: não sonho mais –
passado o cabo de São Vicente,
sonho todo dia com a esperança
sem nome, o nume de cor verde.

./.

O poço do passado (BetoQueiroz

by adalbertodequeiroz

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